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Cada vez mais velejadores saem para o mar com o cão, e bem preparado é um excelente tripulante. Mas um barco não é uma sala de estar: há conveses escorregadios, sol sem sombra, ondas, ruído de motor e a dificuldade de içar para bordo um animal molhado de 30 quilos. Este guia reúne o que realmente importa para que as saídas sejam seguras e agradáveis para os dois.
Dica: a receita curta é um colete com pega dorsal bem ajustado, sombra e água doce sempre, uma forma de o recolher da água e saídas curtas no início.
Antes da primeira saída
Nem todos os cães gostam do mar. Alguns enjoam, outros assustam-se com o ruído ou com as ondas, e os mais nervosos podem atirar-se à água na pior altura. Conheça o seu cão antes de decidir até onde vai.
- Saúde: consulte o veterinário se for cachorro, idoso, de focinho curto (como bulldogs ou pugs) ou tiver problemas cardíacos ou articulares. Estes cães sofrem mais com o calor e o esforço.
- Vacinas e documentação: leve o boletim sanitário ou passaporte e o microchip registado. Se for atravessar fronteiras, confirme os requisitos de cada país.
- Obediência básica: «fica», «anda» e «espera» valem mais do que qualquer acessório.
Como habituar o cão ao barco
- Primeiro na marina: deixe-o subir, explorar e comer algo a bordo com o barco parado.
- Motor ligado sem sair: para se habituar ao ruído e à vibração.
- Saídas curtas com mar calmo e com o colete posto desde o cais, para o associar a algo positivo.
- Um sítio só dele à sombra, com uma toalha ou tapete antiderrapante.
- Treine o regresso da água numa enseada tranquila, antes de precisar mesmo.
Prémios e paciência funcionam melhor do que forçar. Se enjoar, não lhe dê de comer mesmo antes de largar e consulte o veterinário antes de lhe dar qualquer medicamento.
O colete salva-vidas do cão
A legislação de equipamento de segurança aplica-se às pessoas a bordo, e não existe um colete de cão «oficial»: consulte as regras do seu país. Mesmo assim, é muito recomendável que o cão use colete sempre que esteja no convés a navegar. Muitos cães nadam bem, mas com ondas, corrente ou longe do barco cansam-se, e a pega permite içá-lo.
O que ver ao escolher um colete salva-vidas para cão:
- Pega dorsal robusta: é o mais importante. Tem de aguentar o peso do cão molhado.
- Flutuação sob o pescoço e o peito: mantém a cabeça fora de água.
- Cores vivas e faixas refletoras: para o ver do barco.
- Argola para a trela: útil nos pontões e ao desembarcar.
- Ajuste: cintas reguláveis e tamanho pelo perímetro do peito. Um colete largo roda na água.
Como escolher o tamanho
Escolhe-se pelo perímetro do peito, a zona mais larga atrás das patas dianteiras, e pelo peso, de acordo com a tabela do fabricante. Com o colete fechado devem caber só dois dedos entre as cintas e o corpo. Se estiver entre dois tamanhos, experimente ambos.
| Tamanho do cão | Peso indicativo | O que privilegiar |
|---|---|---|
| Pequeno | Menos de 10 kg | Colete leve com apoio sob o queixo e pega |
| Médio | 10 - 25 kg | Pega reforçada e cintas largas |
| Grande | Mais de 25 kg | Pega muito robusta, boa flutuação à frente e rampa para o recolher |
Como recolher o cão da água
Um cão na água pode voltar a nadar, mas içá-lo para bordo é outra história, sobretudo em barcos de amurada alta. Pense em como o fará antes de sair.
- Agarre-o sempre pela pega do colete, nunca pela coleira.
- Uma rampa flutuante presa à plataforma de banho ou uma escada de banho com degraus largos facilita muito a manobra.
- Sem rampa, são precisas duas pessoas: uma pela pega e outra a sustentar a parte traseira.
- Desligue o motor e garanta que o hélice não roda antes de alguém, ou o cão, estar na água.
Sombra, calor e água doce
O calor é o inimigo número um. O convés ao sol atinge temperaturas que queimam as almofadas das patas, e um cão ofegante sem sombra pode sofrer um golpe de calor em pouco tempo.
- Sombra permanente: um bimini ou um toldo de fundeio. Uma toalha molhada ajuda no verão.
- Água doce sempre disponível, num bebedouro estável que não vire. O cão não deve beber água do mar.
- Superfície antiderrapante: os pavimentos de EVA agarram muito melhor do que o gelcoat molhado e são mais suaves para as patas.
- Horas centrais: evite saídas longas entre as 12h e as 17h em pleno verão.
Necessidades e limpeza a bordo
O mais prático é um tapete de relva artificial num canto do cockpit ou à proa, com algum cheiro familiar para o reconhecer. Lava-se com um balde de água do mar. Em saídas curtas, basta descer a terra antes e depois.
Leve toalhas, sacos e uma escova à parte. Enxague com água doce o sal do pelo ao regressar: irrita a pele. Uma geleira portátil permite levar água fresca e a comida dele sem que se estrague.
Erros típicos ao navegar com cão
Atenção: estes descuidos são os que causam mais acidentes.
- Agarrá-lo pela coleira para o içar: pode magoá-lo e ele escapar-se.
- Deixá-lo solto no convés durante uma manobra de atracação ou fundeio.
- Esquecer a sombra e a água nas horas centrais do dia.
- Prendê-lo curto no convés: se cair à água, pode ficar suspenso.
- Achar que, por nadar bem, não precisa de colete.
Regras em portos e praias
As marinas e as praias têm regras próprias sobre animais, e muitas praias não admitem cães na época balnear. Informe-se antes de desembarcar e leve sempre sacos, trela e a documentação do animal. Antes de largar, reveja a checklist antes de sair a navegar e, se viajarem crianças, o guia de coletes salva-vidas para crianças.
Equipamento recomendado para este guia
Perguntas frequentes
O cão tem de usar colete salva-vidas no barco?
A legislação de equipamento de segurança aplica-se às pessoas a bordo, e as regras para animais variam, por isso consulte as normas do seu país. Mesmo assim, é muito recomendável que o cão use um colete com pega dorsal sempre que esteja no convés a navegar. Muitos cães nadam bem, mas com ondas cansam-se, e a pega permite içá-lo.
Como recolher um cão para o barco quando cai à água?
Agarrando-o pela pega do colete, nunca pela coleira. Para cães grandes, uma rampa flutuante presa à plataforma de banho ou uma escada com degraus largos facilita muito a manobra. Sem rampa, são precisas duas pessoas: uma pela pega e outra pela parte traseira.
Onde faz o cão as suas necessidades no barco?
O mais prático é um tapete de relva artificial num canto do cockpit ou da proa, com algum cheiro familiar para o reconhecer. Lava-se com um balde de água do mar. Em saídas curtas, basta descer a terra antes e depois.
Como evitar que o cão enjoe ou tenha calor no barco?
Comece com saídas curtas e mar calmo, não lhe dê de comer mesmo antes de sair e garanta sempre sombra e água doce. Um bimini e uma toalha molhada fazem diferença no verão. Se enjoar com frequência, fale com o seu veterinário.