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Poucas coisas estragam mais um dia de mar do que um fora de borda que não pega: puxões à corda, cheiro a gasolina e a tripulação a olhar. A boa notícia é que na grande maioria dos casos a causa é simples e resolve-se no cais com quatro ferramentas.
Este guia segue a ordem de diagnóstico que usam os mecânicos: primeiro o mais simples e frequente, depois combustível, faísca e refrigeração. Os motores pequenos de carburador são o caso mais comum, mas quase tudo serve também para injeção.
Seis verificações rápidas
- Cabo de paragem (homem ao mar) bem colocado.
- Caixa em ponto morto.
- Respirador do depósito aberto e gasolina suficiente e recente.
- Conector de combustível encaixado e pera de escorva dura.
- Starter (ar) conforme o motor esteja frio ou quente.
- Vela limpa, seca e com faísca.
Com estes seis pontos resolve-se a maioria dos casos em motores pequenos.
Tabela de diagnóstico rápido
| Sintoma | Causa provável | Solução |
|---|---|---|
| Não faz qualquer tentativa de pegar | Cabo de paragem solto ou sem faísca | Coloque a ficha do cabo de paragem; experimente outra vela |
| A corda ou o arranque não rodam | Mudança engrenada ou bateria fraca (arranque elétrico) | Ponto morto; carregue a bateria e limpe os bornes |
| Tenta pegar mas não chega | Falta de gasolina no carburador | Abra o respirador, aperte a pera até ficar dura, use o starter |
| Forte cheiro a gasolina, não pega | Motor afogado | Tire o starter, acelerador a fundo e puxe várias vezes; seque ou mude a vela |
| Pega e para | Respirador fechado, pera rachada, filtro sujo, gicleur de marcha lenta entupido | Reveja a linha de combustível; limpe o carburador |
| Só funciona com starter | Gicleur de marcha lenta parcialmente entupido ou entrada de ar | Limpeza do carburador e revisão das juntas |
| Falha e perde força | Água na gasolina, vela gasta, hélice danificada ou com linha | Esvazie e decante o combustível; mude a vela; reveja a hélice |
| Pega mas não sai água pelo testemunho | Testemunho entupido ou impulsor danificado | Pare o motor; desentupa o testemunho; mude o impulsor |
1. Cabo de paragem e mudança
É a causa mais frequente e a mais boba. O cabo de paragem (kill cord) tem uma ficha ou chave que deve estar colocada no interruptor; se não, a ignição fica cortada. Verifique se está bem encaixada e se o cordão não está partido por dentro. Se o perdeu, substitua-o: além de servir para pegar, é o que para o motor se o skipper cair à água, e deve ir sempre preso ao pulso ou ao colete.
Quase todos os fora de borda modernos têm um bloqueio que impede o arranque se a alavanca não estiver em ponto morto. Ponha em neutro e deixe o punho do acelerador na posição de arranque.
2. Combustível: a causa de metade das avarias
Respirador do depósito fechado
Os depósitos portáteis têm um parafuso de ventilação na tampa. Se estiver fechado, o motor pega, trabalha uns segundos e afoga-se por falta de ar no depósito. Abra-o sempre ao navegar.
Pera de escorva e conectores
Aperte a pera até ficar dura. Se não endurecer, há uma fuga ou um conector mal encaixado; se ficar mole, está rachada. Reveja também a mangueira: a gasolina com etanol endurece e racha as mangueiras velhas.
Gasolina velha ou com água
A gasolina com etanol degrada-se em poucos meses, deixa vernizes que entopem os gicleurs e pode absorver água. Se o motor passou o inverno parado, é a suspeita número um:
- Esvazie o depósito e a cuba do carburador pelo parafuso de purga.
- Encha com gasolina fresca de uma bomba, com a mistura correta se for de 2 tempos.
- Mude a vela e o filtro de combustível.
- Se continuar sem pegar, limpe o carburador (gicleurs de marcha lenta e principal).
Para o evitar, estabilize o combustível antes de parar, como explica o guia de como preparar o barco para o inverno. Um bom depósito de combustível com respirador e conector em bom estado também poupa problemas.
3. Faísca e vela
Retire a vela com a chave adequada e observe:
- Molhada de gasolina: motor afogado (veja abaixo).
- Preta e oleosa ou com carvão: mude-a.
- Seca e limpa: o problema é de combustível.
Para verificar a faísca, ligue o capuz à vela, encoste a rosca a uma parte metálica do motor e puxe a corda. Deve saltar uma faísca azul clara. Faça-o longe de vapores de gasolina.
Se a vela nova também não der faísca, reveja o capuz e o cabo de alta tensão. Se continuar sem faísca, a falha pode estar na bobina ou no módulo de ignição, e convém levar o motor à oficina.
4. Motor afogado
Nota-se porque cheira muito a gasolina e a vela sai molhada. Entrou demasiado combustível e a mistura é tão rica que não acende.
- Tire o starter e abra o acelerador a fundo se o seu modelo o permitir.
- Puxe a corda várias vezes para ventilar o cilindro.
- Se não resultar, desmonte a vela, seque-a ou mude-a e dê uns puxões com ela fora antes de a montar.
- Espere uns minutos e volte a tentar sem tocar no starter.
Dica: com o motor quente, normalmente não é preciso starter. Com frio, sim; mas o excesso de starter é a causa da maioria dos afogamentos.
5. Pega e para logo a seguir
Quase sempre é um problema de alimentação. Reveja por esta ordem:
- Respirador do depósito aberto.
- Pera de escorva firme depois de escorvar.
- Conector rápido bem encaixado.
- Filtro de gasolina sujo.
- Gicleur de marcha lenta entupido (o motor só funciona com starter).
Se o motor só aguenta com o starter, o carburador precisa de limpeza. Com injeção, convém um diagnóstico em oficina.
Atenção: se o motor pega mas não sai água pelo testemunho, pare-o de imediato. Navegar sem refrigeração pode gripar o motor em poucos minutos. Pode ser o orifício entupido com sal ou areia, que se desentope com um arame fino, ou um impulsor danificado: veja o impulsor de substituição.
Spray de arranque: só para diagnosticar
Uma rajada curta de spray de arranque na entrada de ar diz-lhe se o problema é de combustível: se pega um segundo e para, a faísca está boa e falha a alimentação. Não o use de forma habitual, e menos ainda em motores de 2 tempos: o éter não leva óleo e o motor roda sem lubrificação.
Peças e ferramentas a bordo
- Vela sobresselente e chave de velas.
- Filtro de combustível e pera de escorva.
- Cabo de paragem sobresselente.
- Um troço de mangueira de combustível com conectores.
- Jogo básico de chaves e chaves de fendas.
- Uma corda de arranque sobresselente.
Encontra kits entre as ferramentas para fora de borda. E a melhor prevenção é um bom calendário: manutenção do motor fora de borda.
Quando ir à oficina
Se verificou cabo, combustível fresco, faísca e alimentação e continua sem pegar, ou se há ruídos metálicos, fumo branco constante ou óleo leitoso, não insista. Um motor que não roda com a corda pode ter uma falha interna (gripado). Se só falha com o motor quente, pode ser um problema de ignição que exige diagnóstico.
Equipamento recomendado para este guia
Perguntas frequentes
Porque é que o meu fora de borda não pega depois do inverno?
Na maioria dos casos é gasolina velha: a gasolina com etanol degrada-se em poucos meses, deixa vernizes que entopem os gicleurs do carburador e pode absorver água. Esvazie depósito e cuba, ponha gasolina nova, mude a vela e, se continuar sem pegar, limpe o carburador.
Como sei se o motor está afogado?
Cheira muito a gasolina e, ao retirar a vela, esta está molhada. Tire o starter, abra o acelerador a fundo se o seu modelo o permitir e puxe a corda várias vezes. Se não resultar, seque ou mude a vela e dê uns puxões com a vela fora antes de a montar.
Porque é que pega e para logo?
Quase sempre é um problema de alimentação: respirador do depósito fechado, pera de escorva mole ou rachada, conector rápido mal encaixado, filtro sujo ou gicleur de marcha lenta entupido. Verifique que a pera se mantém dura depois de escorvar e abra sempre o respirador.
O que faço se o motor não tem faísca?
Primeiro, reveja o cabo de paragem: se a ficha não estiver bem colocada, o motor não dá faísca. Depois experimente uma vela nova e verifique o capuz e o cabo de alta tensão. Se continuar sem faísca, a falha pode estar na bobina ou no módulo de ignição e convém levar o motor à oficina.
Posso usar spray de arranque num fora de borda?
Como ferramenta de diagnóstico, uma rajada curta na entrada de ar diz-lhe se o problema é de combustível. Não o use de forma habitual, e menos ainda em motores de 2 tempos, porque o éter não leva óleo e o motor roda sem lubrificação.