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Guia · Eletrónica e energia

Rádio VHF fixo ou portátil: qual escolher para o seu barco

Compare o VHF fixo e o portátil: potência, alcance, DSC, antena e instalação. Descubra que rádio faz realmente falta ao seu barco, em águas portuguesas.

Por Equipa BarcoEquipado Atualizado em 6 min de leitura

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Índice +

O rádio VHF é o único equipamento de bordo que o liga, em segundos, a outras embarcações, às marinas e às autoridades marítimas. Escolher entre um fixo e um portátil não é uma questão de gosto: depende de onde navega, do tipo de barco e da distância a que costuma afastar-se da costa. Este guia dá-lhe os critérios para acertar.

A resposta rápida

Num barco com cabina, num veleiro ou em qualquer embarcação que se afaste da costa, o rádio principal deve ser um VHF fixo com DSC, e convém levar também um portátil como reserva. Numa semirrígida, num pneumático ou numa lancha aberta que navega perto de terra, um bom portátil estanque e flutuante resolve a comunicação com muito menos custo e sem instalação.

Se o orçamento o permitir, a melhor solução são os dois: o fixo manda enquanto o barco tem energia e antena; o portátil acompanha-o no tender, na jangada ou quando a bateria falha.

VHF fixo versus portátil: tabela comparativa

CaracterísticaVHF fixoVHF portátil
Potência máxima25 W (1 W em baixa)5-6 W (1 W em baixa)
AntenaExterior, de 1 a 2,4 m ou no topo do mastroCurta, à altura da mão
Alcance indicativo entre barcos7 a 15 milhas4 a 5 milhas
DSC com posiçãoQuase sempre (classe D)Só em gamas média e alta
Ligação ao plotter (NMEA)SimEm geral, não
AlimentaçãoBateria do barco, 12 VBateria própria recarregável
Útil fora do barcoNãoSim: tender, jangada, abandono
InstalaçãoAntena, coaxial, alimentação e GPSNenhuma
Gama de preçoMédia, mais antena e caboEconómica a média

Alcance: manda a altura da antena, não a potência

As ondas VHF propagam-se em linha reta, quase como a vista. Por isso o alcance depende sobretudo da altura das duas antenas. Regra prática: alcance em milhas náuticas ≈ 2,1 × (√h1 + √h2), com as alturas em metros.

  • Fixo com antena a 3 m a falar com outro barco semelhante: cerca de 7 milhas.
  • Dois portáteis a 1,5 m de altura: cerca de 5 milhas.
  • Antena no topo do mastro de um veleiro de uns 15 m com um barco baixo: perto de 12 milhas.
  • Estações costeiras em locais elevados: 30 milhas ou mais.

Passar de 5 para 25 W ajuda a vencer ruído e obstáculos, mas o ganho de alcance é modesto. Subir a antena um metro costuma render mais do que qualquer watt extra.

Dica: se leva um portátil, use-o no convés e com a antena o mais alta possível, não dentro da cabina. O casco e a estrutura atenuam muito o sinal.

Quando escolher um VHF fixo

O fixo é o rádio «a sério» de um barco. Os 25 watts e uma antena montada em altura multiplicam o alcance, o altifalante ouve-se por cima do motor e a ligação ao GPS faz com que o alerta de socorro saia com a sua posição exata sem tocar em mais nada. Muitos fixos modernos incluem GPS interno, função de megafone (hailer) e, na gama alta, recetor AIS.

Escolha um fixo se tem cabina ou veleiro, se navega longe da costa ou à noite e se quer integrar o rádio com o plotter. Antes, leia a comparação de antenas VHF e AIS, porque a antena é metade do sistema.

Quando basta (ou convém) um portátil

Numa pneumática ou numa lancha aberta raramente há um local protegido para um fixo nem um mastro para a antena. Um VHF portátil estanque (IPX7, no mínimo) e flutuante serve nessas embarcações, carrega-se em casa e vai consigo no tender ou para terra. Para uso real, repare nestes pontos:

  • Estanquidade: IPX7 ou superior; se flutuar, melhor, porque cai à água mais vezes do que parece.
  • Autonomia: com ciclo de trabalho 5/5/90 (5 % a transmitir, 5 % a receber, 90 % em espera), uma bateria de iões de lítio costuma durar um dia inteiro.
  • DSC e GPS: existem em portáteis de gama média e alta; permitem lançar um alerta de socorro com posição a partir da própria mão.
  • Carregador e pilhas: um porta-pilhas para alcalinas como alternativa de emergência é uma vantagem em travessias.

DSC e MMSI: o que deve saber

O DSC (chamada seletiva digital) permite enviar, com um botão, um alerta de socorro com a sua identidade e posição a todas as estações ao alcance. Para funcionar precisa de um número MMSI de nove dígitos associado ao rádio e ao barco, e de que o rádio receba a posição de um GPS interno ou do plotter por NMEA. Um alerta DSC sem posição é muito menos útil.

Se leva fixo e portátil, cada equipamento precisa do seu MMSI (o do portátil costuma ser diferente do do barco). A atribuição e o registo fazem-se junto da entidade competente do seu país; consulte a regulamentação nacional em vigor.

Regras e certificado de operador

As obrigações de equipamento rádio variam consoante o tipo de embarcação, a área de navegação e o registo. Não parta do princípio de que um portátil chega ou de que um fixo é dispensável: confirme na autoridade marítima nacional o que se aplica ao seu barco. Em muitos países, operar um VHF com DSC exige também um certificado de operador (por exemplo, o SRC), por isso verifique se o tem ou se precisa de o obter.

Seja qual for a obrigação, recomendamos, por segurança, um VHF com DSC e posição para quem sai da zona de abrigo, e um portátil flutuante para quem se afasta num barco aberto. Veja também a lista de equipamento para veleiro para o resto do material de bordo.

Chaves para instalar um VHF fixo

  1. Antena alta e desimpedida: longe de outras antenas e do radar. Em veleiros, uma antena curta de cerca de 3 dB no topo do mastro; em lanchas, uma de fibra de 1 a 2,4 m com 3 a 6 dB.
  2. Coaxial curto e de qualidade: RG58 em troços curtos; RG213 ou equivalente de baixa perda acima de uns 10 m. Cada metro a mais perde sinal.
  3. Conectores bem montados: um conector mal crimpado ou com água é a avaria mais comum. Sele com fita autovulcanizante e confirme a relação de onda estacionária (ROE) com um medidor.
  4. Alimentação direta com fusível: cabo de secção suficiente desde o quadro ou a bateria, com o seu fusível e longe de cabos de potência para evitar ruído.
  5. GPS e NMEA: ligue o rádio ao plotter ou use o GPS interno para que o DSC leve posição.

Atenção: nunca teste o botão de socorro DSC «para ver se funciona». Gera um alerta real e mobiliza meios de salvamento. Para verificar o rádio, faça um teste de escuta no canal indicado pela autoridade marítima.

Uso correto e erros típicos

O canal 16 é o de chamada e socorro e deve estar em escuta enquanto navega; o canal 70 está reservado ao DSC e não se fala nele. Chame, combine um canal de trabalho e mude de canal para não ocupar o 16 com conversas.

  • Comprar um fixo potente e deixá-lo com uma antena curta colocada em baixo, dentro da cabina.
  • Esquecer-se de registar o MMSI ou de ligar o GPS, de modo que o alerta sai sem posição.
  • Levar apenas um portátil sem bateria carregada nem carregador a bordo.
  • Não rever os conectores da antena em cada época: a corrosão salina reduz o alcance sem avisar.
  • Não definir quem usa o rádio numa emergência: toda a tripulação deve saber lançar um Mayday.

Para travessias, uma baliza pessoal não substitui o rádio, mas acrescenta uma via de alerta independente.

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Perguntas frequentes

O que é melhor, um VHF fixo ou um portátil?+

O fixo é melhor como rádio principal: transmite a 25 W, usa uma antena alta e costuma integrar DSC e GPS. O portátil é melhor como reserva e em barcos abertos sem espaço nem bateria para um fixo. Num barco com cabina que sai a mais de algumas milhas da costa, o ideal é levar os dois.

Que alcance tem um VHF fixo comparado com um portátil?+

Com a antena a 3 metros, um fixo chega a outro barco semelhante a cerca de 7 milhas, contra as 5 de dois portáteis. Com a antena no topo do mastro de um veleiro, o alcance entre barcos ultrapassa as 10 milhas. A altura da antena pesa mais do que a potência.

Preciso de MMSI para usar o DSC?+

Sim. O DSC só identifica o seu barco se o rádio tiver um MMSI de nove dígitos atribuído. Se leva um fixo e um portátil, cada um precisa do seu número. Pergunte à entidade competente do seu país como se faz o registo.

Posso ligar o VHF fixo ao plotter GPS?+

Sim. Quase todos os fixos com DSC têm entrada NMEA 0183 e alguns NMEA 2000 para receber a posição do plotter. Assim o alerta de socorro sai com a sua posição exata e, em alguns modelos, vê no ecrã os barcos que o chamam.

Que antena precisa um VHF fixo?+

Em lanchas, uma antena de fibra de 1 a 2,4 metros com 3 a 6 dB de ganho, montada o mais alto possível. Em veleiros, uma antena curta de 3 dB no topo do mastro. Use coaxial de qualidade e o troço mais curto possível, porque cada metro perde sinal.

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