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Motores e peças

Ânodos de sacrifício para barco: zinco, alumínio ou magnésio e quando trocar

Um ânodo é uma peça barata que se corrói de propósito para que não o façam o hélice, o veio ou o motor. Escolher o metal certo para a sua água e trocá-lo a tempo evita reparações muito mais caras.

Por Equipa BarcoEquipado Atualizado em 6 min de leitura
Ânodos de sacrifício

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Como funciona um ânodo de sacrifício

Quando dois metais diferentes estão submersos em água condutora, sobretudo salgada, forma-se uma pilha galvânica: o metal menos nobre corrói primeiro e protege o mais nobre. O ânodo é fabricado com um metal pouco nobre para ocupar esse lugar. Sacrifica-se ele e salvam-se o hélice de bronze, o veio de aço inoxidável ou o pé de alumínio do fora de borda.

Um ânodo que se gasta não é um defeito, é a prova de que funciona. O problema surge quando se esgota e ninguém o substitui.

Zinco, alumínio ou magnésio: que metal escolher

A escolha depende da água onde o barco passa a maior parte do tempo, e não de onde navega num fim de semana.

MetalÁgua recomendadaCaracterísticas
ZincoSalgada (mar aberto, portos de sal)O mais habitual no mar; bom em águas salgadas, mas passiva-se em água doce
AlumínioSalgada e salobraMais leve e dura mais do que o zinco; serve em água salobra e é uma alternativa moderna ao zinco
MagnésioDoce (lagos, rios, albufeiras)Muito ativo, funciona onde o zinco não protege; em água salgada gasta-se depressa de mais

Atenção: se muda de água com frequência (doce e salgada), consulte as recomendações do fabricante do motor ou do casco. Um ânodo de magnésio no mar gasta-se em poucas semanas, e um de zinco em água doce não protege.

Onde se montam os ânodos

No fora de borda

Quase todos os fora de borda trazem um ou vários ânodos no pé (junto à placa antiventilação ou na parte inferior) e por vezes no suporte. Confirme o modelo exato do seu motor: a forma e os parafusos variam consoante a marca.

No casco e na transmissão

  • No veio do hélice: ânodos de colar que se fixam ao veio e protegem hélice e veio.
  • No casco: placas aparafusadas ou soldadas junto ao leme, à quilha ou às tomadas de água.
  • Nos trim tabs: ânodos pequenos específicos para estas abas.
  • No sistema de refrigeração: ânodos de vareta dentro do circuito de motores interiores.

Se o seu motor tem rotor, aproveite para rever os ânodos internos sempre que abrir o circuito de água: explicamos como no guia de rotores para bomba de água.

Quando trocar

A regra prática: troque-o quando tiver perdido metade ou mais do seu volume. No mar, o habitual é revê-los de poucos em poucos meses e substituí-los uma vez por ano; se o barco passa muito tempo no porto, com carregadores de cais ou numa marina com correntes parasitas, gastam-se mais depressa.

  1. Retire o barco da água ou reveja o ânodo numa varagem.
  2. Verifique o desgaste: um ânodo com a superfície picada ou coberta por camada branca continua ativo; um liso e quase intacto pode estar passivado ou mal ligado.
  3. Substitua quando faltar metade do metal ou quando estiver perto do parafuso de fixação.
  4. Limpe o ponto de contacto até ver metal brilhante antes de montar o novo.
  5. Aperte com o binário recomendado e confirme o contacto elétrico com um multímetro.

Dica: anote a data de troca e o desgaste num caderno de bordo. Se se consomem muito depressa, pode haver fugas de corrente na instalação elétrica ou no porto.

Erros que anulam a proteção

  • Pintar o ânodo: uma camada de tinta ou de antivegetativa isola o metal e deixa-o inútil. Proteja os ânodos com fita quando aplicar a tinta.
  • Mau contacto elétrico: se o ânodo não estiver bem aparafusado a uma superfície limpa, não protege.
  • Metal errado: zinco em água doce ou magnésio no mar.
  • Parafusaria inadequada: use a que o fabricante indica e não misture metais.
  • Comprar pelo tamanho sem ver a referência: o ânodo deve encaixar na peça que protege e ter a massa adequada.
  • Esquecer de verificar depois do inverno: a corrosão também avança com o barco parado na água.

O que ver ao comprar e como mantê-los

Escolha ânodos de liga certificada (por exemplo, o zinco conforme a norma militar MIL-A-18001) ou com a composição indicada pelo fabricante. Os zincos de qualidade duvidosa têm impurezas que se passivam e deixam de proteger. Compare o tamanho e a forma com o ânodo original e, em caso de dúvida, use a referência do motor ou do casco.

Verifique periodicamente a zona do ânodo e do veio e reveja os restantes pontos de manutenção no guia de manutenção do motor fora de borda. Se trocar o hélice, veja os nossos hélices para fora de borda e confirme também o ânodo do veio.

Perguntas frequentes

De quanto em quanto tempo se trocam os ânodos de sacrifício de um barco?+

Substituem-se quando perderam metade do volume. No mar, costuma ser uma vez por ano, mas convém revê-los de poucos em poucos meses. Se se consomem muito depressa, verifique possíveis correntes de fuga.

Que ânodo uso em água doce?+

Em água doce usa-se magnésio, porque o zinco passiva-se e não protege. Se navega em água salobra, o alumínio costuma ser a melhor opção.

Posso pintar um ânodo de sacrifício?+

Não. A tinta ou a antivegetativa isolam o metal e deixam-no inútil. Cubra os ânodos com fita antes de pintar o casco.

O meu fora de borda precisa de ânodos?+

Sim, quase todos trazem um ou mais no pé ou no suporte. Protegem o alumínio do pé e as peças internas da corrosão galvânica, sobretudo em água salgada.

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